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nobody


Saturday, 10 Sep, 2022
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bernardo ainda pensa em marina. não dorme antes das 2:25 da madrugada. usa tarja preta, fitoterápico e meditação como tratamento da insônia.

marina não se expõe mais. em quase um ano de solidão, talvez tenha pensado duas, três ou cinco vezes em bernardo. especulações, mas não sabemos. quase num gesto natural de voto hinduísta, prefere o silêncio — mas marina é ateia.

bernardo conta os meses sem marina. e marina, não sabemos. ela sumiu. bernardo revisita repetidamente o calendário e jurou que dessa vez não morreria. estava certo: não morreu, mas se permite o coma nos dias 29 e 30.

marina e bernardo sabem que ela está um ano adiantada dele. ambos também sabem continuar. marina é objetiva, bernardo sentimental. marina é organizada, bernardo espontâneo.

bernardo ainda sente tudo como há uma década. marina, não sabemos.

Saturday, 24 Jul, 2021
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monólogo de baixo d’água

você tem razão em muitas coisas.

inclusive nisto.

sim, é verdade, você me machucou.

e a minha justificativa para ter te contestado anteriormente é que: eu estava tão preocupada em amar você, em só te amar, que eu esqueci de mim. durante esse tempo todo…

eu mereço alguém que me ame. alguém que não me faça esperar meia década para ouvir um eu-te-amo de volta. eu mereço alguém que queira resolver os conflitos através da conversa, não pelo sumiço ou pelo silêncio como forma de punição. eu quero alguém que converse comigo, que me admire tanto que será inimaginável contestar o meu valor, a minha inteligência, o meu potencial.

eu não quero alguém que me fale para eu tentar me distrair quando eu falar que tive uma crise suicida. eu quero alguém que me trate com humanidade, e não que essa humanidade só seja pertinente quando tenha a ver com sexo, com massagem ao próprio ego. eu quero alguém que me veja como uma pessoa, como indivíduo.

eu mereço alguém que não me puna através do silêncio, porque sabe o quanto é doloroso para mim esses silêncios que me silenciam.

então, sim: você me machucou.

muito.

mas eu nunca quis perceber a dor.

e se notava algo doloroso, logo passava, porque era mais importante o seu bem-estar do que o meu. e isso não é altruísmo, é burrice. eu fui burra ao seu lado. eu fui submissa ao seu lado. e todas as vezes em que me posicionei, fui lida como intolerante e impaciente, mas a verdade é que eu já esperei por muito tempo.

você é tão covarde e tão pequeno que quando eu disse o que eu sentia, você foi embora. porque o amor assusta você. só que você se esqueceu completamente que antes do meu amor, viria a minha amizade. e talvez seja por isso que eu tenha continuado durante todos esses anos: pela honestidade, pela lealdade, pela sinceridade da minha amizade.

só que nada disso é mais relevante.

não importa mais nada disso, porque, chegou num ponto que, o que você me oferece e o que você me faz são farelos, migalhas. é pouco. e não porquê isso é tudo aquilo que você tem a oferecer, mas sim porque isso é o que você quer oferecer. eu mereço mais: eu mereço a constância, eu mereço a rotina, eu mereço a segurança, aquilo que eu desejo. eu mereço o acolhimento, o estar em casa, o aconchego. eu mereço tudo aquilo que eu questionei merecer no tempo em que estive afastada de você.

você faz eu questionar a minha própria sanidade, você faz eu achar que o que eu quero é loucura, é demais, sendo que o que eu quero é o básico em uma relação. e se nem isso você consegue ofertar em uma amizade, você não é um bom candidato para ser o meu amor.

você é egoísta. é conveniente os seus favores, porque eles te beneficiam em algo, te recompensam de alguma forma. você não é caridoso, você não tem compaixão. você só enxerga a si.

e eu cansei. honesta e humildemente.

da via de mão única: de ser sustento, o cais, a estrutura, a base, o firmamento.

então, você que desmorone.

Tuesday, 6 Apr, 2021
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lancei feitiço sobre o tempo.

como mário disse, que passe devagar, emoldurei o lembrete num quadro exposto na parede da sala enquanto via seu semblante simétrico desfalecer. sem pele rubra ou corada, só enxergo na lembrança o amarelo de seu sorriso com marcas do bruxismo. sem branco da paz, tu rangia nos dentes, numa medida insana de quem mede a raiva, o sopro da desistência. animalesco. híbrido. covarde.

sem honrarias ou glórias, abandonou a batalha contra o relógio. a desistência é logicamente racional perante ao sofrimento. na análise psicológica estabelecida entre ações e falas, entendo. não somos masoquistas, muito menos psicólogos. mas se a ação nos leva à fala, a fala não seria, então, ação? o exemplar surrado do érico responde ao questionamento: não resta nem o silêncio.

Monday, 22 Feb, 2021
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Anonymous: entendo! sinto sua falta mesmo assim. >

na real nunca entendi essas mensagens anônimas que ainda chegam aqui após anos do ápice do tumblr

faço a menor ideia também de quando tempo essa mensagem ficou no meu inbox ou quem mandou

hoje em dia a única coisa que sei é que saudade arregaça, mas também acho que é importante a gente comunicar o que sentimos. a expressão é um bagulho muito importante, mesmo que às vezes ela dependa da comunicação e esta daí seja falha e cheia de equívocos

uma hora para de fazer falta. vai por mim…

thewindowofthesummerhouse:

magtira paolo

Thursday, 4 Feb, 2021
via thewindowofthesummerhouse
fonte thewindowofthesummerhouse
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thewindowofthesummerhouse:
“ magtira paolo
”
Wednesday, 3 Feb, 2021
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não imagino chamando teu nome de algum jeito que não seja o que tem. por isso não consigo fantasiar um vocativo que faça alusão a ti neste momento. o nome te materializa. me é sólido. tudo o que ressoa são as conssoantes e as vogais e as sílabas de seu nome, que minutos atrás desejei não conhecer. preferia ser analfabeta. muda para calar o som de seu nome, surda para nunca mais ouvi-lo. aqui, a praga é escutar o próprio desejo e ansiar dar vasão ao mesmo. pois ainda sou capaz de enlouquecer caso me prive. te chamo. num silêncio vocal, num grito psíquico:

veja aquelas fotos, com nossos rostos e corpos escancarados, e ouse encher a boca e proclamar devotamente que não se recorda de nada mais. minta na afirmação de que está bem. veementemente bem. pungentemente bem. o que você vê? dois adolescentes brincando de faz de conta. anônimos ao mundo, descobridores do mesmo. traídos por si próprios, covardes confusos. profanamente calados. nascido do choro de lágrimas secas, latente como escarlate: não se comemora sentimentos assim, trajados pelo desastre, perseguidos pelo drama, fadados a tragédia.

em específico, você nunca vira uma fotografia - de olhos e olhar retilíneos, brilhantes e acastanhados, pois sempre fora só minha. já os meus, despencados no açude reservado a ti, com choros destinados ao tratamento especial. o esquecimento já não é preocupante, pois o alzheimer é meramente especulativo diante de minha metaimagem cerebral. a fisicalidade da fotografia não existe mais.

e é na rebeldia da insistência que encontro a vivaz burrice. o paradoxo do esquecimento. contestando a incerteza do esquecer, chamo o nome, o teu, porque há a esperança do livramento, do alívio. mas ecoa ecoa ecoa. e no abismo, no andar cuidadoso de ponta de pé, você recua e eu me jogo no precipício de pedras pontiagudas feito suicida. fale se a maldição recai apenas a mim ou se em sua lucidez também encontra o retrato de um sonho, próximo daquele que vivemos.

não me venha com a desculpa enfadonha da demência precoce. não temos nem quarenta anos ou vinte e seis. falo da lembrança do som acinzentado de chuva primaveril batento na janela. ninguém pediu licença, todos entraram. primeiro, o som. a cor, a luz, a sombra. tonalidades contrastantes em fundos quentes. depois, o toque. cálido, trêmulo, finito. e então, o cheiro d'água. a chuva, o suor, a lágrima.

falam de explicações lógicas, racionais e biológicas aos fenômenos naturais. externos ou internos, não importa. não ouço. pois todas as palavras do meu vão vocabulário não parecem sustentar minhas teses absurdas. não há validade no que escrevo, não há o sustento. a segurança da letra. e mesmo que pudesse se cogitar, se pensar, se escrever ou se dizer em outro idioma tudo o que gostaria, ainda assim nada seria. porque nem mesmo os mestres da comunicação me dão a garantia de que nós falamos a mesma língua e entendemos o mesmo assunto e sentimos na mesma pele e partilhamos do mesmo ser e sonhamos o mesmo desejo e lembramos a mesma coisa. porque, apesar de semelhantes, idiomas são materiais vivos de línguas que jamais morrem. a matéria pulsa energia e eu, silêncio.

(na proporcionalidade entre a lentidão da memória e a intensidade: você se lembra, eu sei).

Monday, 25 Jan, 2021
via tamess
fonte truples-deactivated20151130
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Monday, 25 Jan, 2021
via vermelhotempestade
fonte firehome
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Monday, 25 Jan, 2021
via forcefulbehavior
fonte squishiepiggies
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a-u-e:

“Go slowly. I have to get used to it. I talked to you so much when you weren’t there, it’s strange for me to talk to you for real.”
Mr. Nobody (2009)
Dir. Jaco Van Dormael

Monday, 25 Jan, 2021
via a-u-e
fonte kruled
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a-u-e:
“““Go slowly. I have to get used to it. I talked to you so much when you weren’t there, it’s strange for me to talk to you for real.”
Mr. Nobody (2009)
Dir. Jaco Van Dormael
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